segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Cintura de Fogo e Super El Niño: Geologia e Clima no Cenário Sul-Americano


Diante dos episódios sísmicos registrados recentemente na faixa oeste da América do Sul — englobando territórios da Venezuela, Colômbia e Peru —, surgem indagações sobre a possível conexão entre a atividade do interior da Terra e os grandes eventos climáticos globais, como o fenômeno Super El Niño

Como entidade comprometida com a ciência e a gestão ambiental responsável, a APGAM traz uma reflexão pautada em dados geofísicos e climatológicos para esclarecer como esses fenômenos interagem em nosso planeta.

Dois Gigantes, Escalas Diferentes

Para compreender o cenário, é preciso distinguir os mecanismos que movem o clima daqueles que moldam a estrutura profunda do nosso continente:

  1. A Cintura de Fogo do Pacífico (Pacific Ring of Fire): Os tremores no Peru, Colômbia e áreas de influência da Venezuela decorrem do encontro tectônico e do processo de subdução entre as placas de Nazca, do Caribe e Sul-Americana. Trata-se de uma dinâmica geológica interna, cujas tensões mecânicas se acumulam a dezenas de quilômetros de profundidade na litosfera.

  2. O Super El Niño (ENOS): Trata-se de uma dinâmica atmosférico-oceânica. O aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial altera a circulação dos ventos alísios (Célula de Walker), modificando o regime de chuvas e as temperaturas em escala global.



Existe Conexão entre Terremotos e o El Niño?

Sob o ponto de vista da comunidade científica internacional (como o USGS - United States Geological Survey e institutos de geofísica da América Latina), não há evidência de que o El Niño seja gatilho para terremotos.

Enquanto o clima atua na troposfera e na lâmina d'água oceânica, os terremotos são movidos pelo calor interno da Terra e pelo deslocamento de placas rochosas massivas na litosfera. Embora a ciência investigue como mudanças na distribuição de massa de água à superfície (grandes secas ou inundações) afetam pontualmente a pressão superficial sobre a crosta, essa força é insignificante para desencadear grandes rupturas tectônicas.

A Verdadeira Urgência: A Resiliência Urbana aos Eventos Climáticos

Se os terremotos dependem de dinâmicas incontroláveis da Terra, as consequências do Super El Niño sobre o nosso cotidiano dependem diretamente da nossa capacidade de planejamento e governança ambiental.

O aquecimento das águas do Pacífico sinaliza períodos de fortes estiagens e ondas de calor intercalados por tempestades severas. É na escala local — na microdrenagem das nossas bacias, no combate à impermeabilização do solo, na proteção das áreas de risco e na preservação da vegetação urbana — que precisamos concentrar nossos esforços e políticas públicas.

A APGAM reafirma seu compromisso em promover a cultura de prevenção, o embasamento científico e o fortalecimento da gestão ambiental  para enfrentar os reais desafios da emergência climática.


Referências e Fontes Consultadas

  • USGS – United States Geological Survey (Serviço Geológico dos EUA): Earthquake Hazards Program & Ring of Fire Dynamics. 

  • NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration: El Niño & La Niña (ENSO) Climate Diagnostic Center. 

  • INPE / CPTEC – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais: Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos – Monitoramento do Fenômeno ENOS. 

  • IGP – Instituto Geofísico del Perú: Monitoreo Sísmico y Tectónica de la Franja Andina. 

  • SGC – Servicio Geológico Colombiano: Red Sismológica Nacional de Colombia. 

Crédito Editorial e Nota de Transparência

Nota de Transparência: Este artigo foi idealizado e revisado pela coordenação editorial da APGAM, com pesquisa geofísica, estruturação técnica de dados e apoio à composição textual desenvolvidos em colaboração com a Inteligência Artificial Gemini (Google).

  • Linha Editorial: José Ramos de Carvalho / APGAM

  • Pesquisa e Composição Assistida: IA Gemini (Google).


Diretoria de Comunicação (APGAM) - Ga. Eduardo Oliveira 

sexta-feira, 13 de março de 2026

IA e os Impactos Socioambientais - fenomenos El Nino e La Nina - Capital São Paulo



 
ENOS e a Dinâmica Paulistana

O El Niño e a La Niña são oscilações acopladas oceano-atmosfera no Pacífico Equatorial que alteram o padrão de ventos e a distribuição de calor global. Em São Paulo, a influência desses fenômenos é frequentemente caracterizada como uma zona de transição, o que torna as previsões um desafio adicional para os climatologistas e profissionais da area socioambiental.

1. El Niño na Capital (Fase Quente)

Historicamente, o "El Niño" tende a elevar as temperaturas médias na cidade e alterar o regime de chuvas, embora de forma menos previsível que no Sul ou Nordeste do país.

Impacto Térmico: Bloqueios atmosféricos impedem a chegada de frentes frias, resultando em invernos mais brandos e ondas de calor persistentes.
Impacto Pluviométrico: Embora o El Niño seja famoso pelas secas no Norte, em SP ele pode intensificar chuvas convectivas extremas devido à maior disponibilidade de energia (calor) na atmosfera.
Referência Histórica: O evento de 1997-1998 e o "Super El Niño" de 2015-2016 marcaram recordes de temperatura e alteraram drasticamente o manejo de águas pluviais na metrópole


2. La Niña na Capital (Fase Fria)

Para São Paulo, a La Niña geralmente traz um cenário de maior atenção à segurança hídrica e eventos de geada.

Impacto Térmico: Facilita a entrada de massas de ar polar, levando a quedas bruscas de temperatura e episódios de frio rigoroso.
Impacto Pluviométrico: Frequentemente associada à redução das chuvas no Sudeste, o que impacta diretamente o nível dos reservatórios do sistema Cantareira e Alto Tietê.
Referência Histórica: O biênio 2020-2022 sob influência da La Niña foi crucial para          
 entender a resiliência do sistema de            abastecimento da RMSP após a crise de 2014.    
                                               

O Papel das Mudanças Climáticas: O "Novo Normal"

As mudanças climáticas globais não substituem o El Niño ou a La Niña; elas os potencializam. Para o gestor e profissionais da area ambiental, isso significa que:

  1. Eventos Extremos: O que era um "verão chuvoso" de El Niño torna-se um evento de precipitação crítica, superando a capacidade de drenagem basica urbana (efeito das Ilhas de Calor).
  2. Imprevisibilidade: Aumenta a variabilidade intra-sazonal. O ciclo de atividades de mitigação de riscos da Defesa Civil precisa ser mais dinâmico.                                                                            
  3. Saúde Pública: A intensificação de secas (La Niña) combinada com altas temperaturas globais, baixos indices de umidade relativa do ar piora a qualidade do ar na capital, retendo poluentes por mais tempo

Infográfico Histórico: Eventos ENOS vs. Desastres em SP

      Em São Paulo, a intensidade do desastre depende da interação entre o fenômeno climático e a Ilha de Calor urbana.              

        

Fenômeno

Anos de Destaque

Impacto Característico na Capital

Consequências/Desastres Históricos

El Niño (Forte/Muito Forte)

1997-1998 / 2015-2016

Invernos quentes e chuvas convectivas (temporais) intensas.

Inundações e Alagamentos: Recordes de pontos de alagamento intransitáveis; deslizamentos em áreas de risco (encostas).

La Niña (Forte/Moderada)

2010-2011 / 2021-2022

Secas prolongadas e bloqueios atmosféricos.

Crise Hídrica: Queda drástica no Sistema Cantareira; aumento de queimadas em áreas periurbanas (Serra da Cantareira/Ribeirão Pires).

Neutralidade (Transição)

2013-2014

Instabilidade e anomalias locais extremas.

Crise do Abastecimento (2014): Ausência de chuvas no verão, agravada por falhas na gestão de recursos hídricos.




2. Enfermidades Respiratórias e Clima

A dinâmica atmosférica de São Paulo altera a dispersão de poluentes, o que impacta diretamente a carga hospitalar.

O Mecanismo de Agravamento:

  1. Inversão Térmica (Comum na La Niña): O ar frio e denso fica retido próximo ao solo, "aprisionando" a poluição veicular e industrial.                                                                           
  2. Baixa Umidade: Resseca as mucosas, diminuindo a barreira natural contra vírus e bactérias.
  3. Amplitude Térmica (El Niño/Mudanças Climáticas): Variações de mais de 15°C no mesmo dia causam estresse térmico no sistema respiratório.

Grupos de Vulnerabilidade e Patologias:

  • Crianças (0-5 anos): O grupo mais afetado por Bronquiolite e Pneumonia. A fisiologia respiratória em desenvolvimento e a maior frequência respiratória as tornam mais suscetíveis à poluição retida em dias secos de La Niña.
  • Idosos (60+ anos): Vulnerabilidade extrema a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e exacerbação de quadros de asma. O frio extremo (frequente em La Niña) aumenta o    esforço cardíaco e respiratório.             
  • População em Situação de Rua: Grupo de maior risco para Hipotermia e doenças oportunistas devido à exposição direta às anomalias térmicas.

Nota Técnica: Estudos recentes da USP indicam que durante os anos de La Niña, a redução da "lavagem da atmosfera" pelas chuvas eleva em até 20% as internações por doenças respiratórias na Região Metropolitana de São Paulo.

"A gestão ambiental urbana no século XXI não pode ser reativa. Em uma metrópole como São Paulo, onde o El Niño e a La Niña encontram um ambiente antropizado e febril, a resiliência é construída na interface entre a meteorologia e a saúde pública."

Texto: Ga. Carvalho.JR - Adequações / Diagnosticos / IA Gemini

Apoio: Ga. Eduardo Oliveira - Diretoria de Comunicação - APGAM.

Ga. Caroline Kerestes - Presidente APGAM.

Fotos autorais:
Catedral de São Paulo - 12/02/26 - Carvalho.JR
Marginal Rodovia Pres. Dutra - Pq. Novo Mundo - 25/01/2025. - Carvalho, JR.
Aeroporto Internacional de Cumbica/Guarulhos - Alexandre Ramos -  Viação Brasil,
Criança - nebulizador - dominio publico - Br - Freeckp

domingo, 8 de março de 2026

DIA 08 MARÇO DE 2026 - DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 


Neste 8 de março, nosso apreço e reconhecimento não é apenas pela data, mas pela força silenciosa e pela voz corajosa que vocês exercem todos os dias. Ser mulher é equilibrar universos com uma mão enquanto constrói o futuro com a outra. Inspiração, abrigo e revolução.

A excelência não tem gênero, mas a jornada das mulheres exige uma coragem singular. Hoje celebramos a competência, a visão e a liderança das mulheres que transformam desafios em conquistas e inspiram todos ao seu redor. Que o respeito e a equidade sejam a regra, não a exceção.

Mulher: o substantivo que carrega em si todos os verbos de ação. Criar, resistir, amar e transformar. Que hoje o mundo não te dê apenas flores, mas o reconhecimento e o espaço que você já conquistou por direito.

Mulheres - Profissionais de Meio Ambiente é mais do que uma profissão; é um exercício diário de resiliência e visão estratégica. É a capacidade de traduzir indicadores técnicos em qualidade de vida, de transformar conflitos em soluções sustentáveis e de enxergar o futuro onde muitos veem apenas o presente.

Homenageamos hoje as Gestoras Ambientais que:

  • Atuam na linha de frente da adaptação climática e da mitigação de impactos.

  • Lideram com ética a gestão de recursos naturais e a biodiversidade.

  • Unem a ciência e a empatia para construir cidades e comunidades mais resilientes.

Às mulheres que plantam consciência e colhem sustentabilidade, nosso mais profundo respeito. Que sua voz continue sendo o guia para um desenvolvimento que respeite os limites da Terra e a dignidade humana.

Feliz Dia da Mulher!

Gratidão - Ga, Caroline Kerestes - Presidente da Associação Paulista dos Gestores Ambientais - APGAM.

Diretoria de Comunicação - APGAM.